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04/06/2014

Paraná revisa a lista de Espécies Exóticas Invasoras do Estado

O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) iniciou nesta semana a discussão técnica para revisão da lista oficial de Espécies Exóticas Invasoras do Estado. As espécies exóticas invasoras são apontadas como a segunda maior causa da perda de biodiversidade mundial, depois apenas do desmatamento.

A lista tem como objetivo promover a conservação da biodiversidade e o seu uso sustentável. Para isso, é necessário criar regras de uso de cada espécie, restringindo e estreitando o uso das exóticas invasoras para situações específicas. "A lista serve para informar às pessoas quais são as espécies exóticas e quais os problemas que elas causam. Serve também para embasar políticas públicas", afirma Junia Heloisa Woehl, Engenheira Florestal do IAP.

O Paraná foi o primeiro estado a publicar uma lista com espécies de plantas e de animais considerados exóticos invasores. “A primeira lista foi publicada em 2007 e agora estamos trabalhando a terceira edição”, explicou Junia. A lista atual foi editada em 2009 e contempla 69 espécies de fauna e 54 de flora.

Para a revisão da lista de espécies exóticas invasoras, os participantes se separaram em grupos, cada um deles voltado a um segmento – peixes, vertebrados, plantas e invertebrados. A partir daí, são sugeridas inclusões de novas espécies e fornecidas suas referências de ocorrência de acordo com os critérios exigidos.

Para a inclusão de espécies exóticas é exigido um histórico de invasão biológica em algum lugar do mundo ou comprovada no Brasil. Elas devem se enquadrar em duas categorias. Na categoria 1, fica proibido seu transporte intencional, criação, soltura, cultivo, propagação, comércio, doação e aquisição intencional sob qualquer forma. Já as espécies enquadradas na categoria 2 podem ser utilizadas em sistemas de produção com restrições sujeitas à regulamentação específica.

Silvia Renate Ziller, diretora executiva do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, que presta consultoria ao IAP, explica como funciona o processo de atualização da lista. Segundo ela, após a organização destes destas informações é feita uma verificação para conferir se cada uma dessas espécies já tem histórico de invasão, pois isso reforça a importância de entrarem na lista. “Pegamos esses dados, mandamos para todos que participaram da reunião e confirmamos se alguém tem alguma discordância ou quer fazer uma complementação".

Depois de finalizada a discussão técnica, a lista é consolidada e encaminhada para edição de portaria do IAP, o que deve ocorrer em julho 2014.

A discussão iniciada nesta segunda (02) e terça-feira (03) contou com a contribuição de aproximadamente 40 pessoas. Participaram biólogos e especialistas, servidores do IAP, profissionais do Museu Botânico Municipal de Curitiba, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Ibama) e estudiosos de mais de dez instituições de ensino público e privado do Paraná.

EXÓTICAS - As espécies exóticas invasoras são aquelas que estão fora do seu ambiente natural e têm potencial para invadir determinados locais. Elas têm características que facilitam sua superpopulação porque não possuem predadores naturais, prejudicando as espécies nativas e podendo causar a redução, e até a extinção, dessas espécies nos locais onde se instalam.

O processo de invasão das espécies exóticas invasoras é crescente e as medidas preventivas e de controle se tornam mais eficientes e baratas na fase inicial. Essa condição pode danificar o desenvolvimento da agricultura, pecuária, ambientes naturais e espécies nativas.

“A nossa colonização foi extrativista, mas também trouxe algumas espécies de outros lugares para serem produzidas, comercializadas ou até mesmo para decorar o nosso ambiente”, explicou o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto.

Existem três tipos de barreiras para a definição das espécies exóticas invasoras. A primeira barreira é a geográfica (oceano, cadeia de montanhas), em que a espécie ultrapassa essa barreira com a ajuda do ser humano, sendo ela intencional ou acidental, caracterizado a espécie como “introduzida”. Algumas permanecem nesse estágio por muitos anos.

A segunda é definida de acordo com as limitações ambientais que coincidem com a capacidade “estabelecida” (barreira ambiental). Já a terceira, de dispersão, abrange características ambientais que inibem a dispersão de espécies estabelecidas, ultrapassando essa barreira e avançando de uma maneira mais ampla sobre o novo ambiente, conhecida como espécie invasora.
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